Todos os dias ela acorda cedo e vai correr no Central Park, seja inverno, primavera ou verão. Ela corre pra manter a forma, pra manter a cabeça no lugar, pra já turbinar a energia que precisa pra viver mais um dia... sem ele. Eles corriam no Central Park, religiosamente, todos os dias, por 4 anos. A última corrida foi dia 28 de janeiro de 2005, ela se lembra bem. Ela se lembra todos os dias, todas as horas, todos os minutos dessa corrida: a última.
Naquele dia ele disse que ia embora, que havia alguém. Ela não chorou, não pediu que ficasse. Entendeu, ajudou-o a empacotar tudo e olhou pela janela quando ele entrou no carro amarelo pra nunca mais voltar.
Hoje ela saiu pra correr. Sentado em um banco, lendo um livro grosso, ela o viu. Estava sozinho, sem aliança, sem o cachorro que não era dele. Tinha um ar triste, como se a leitura fosse uma obrigação, algo que o impedisse de pensar ou de sentir aquela solidão.
Disfarçadamente, ela sentou atrás dele e o observou. Notou que uma vez por minuto ele parava a leitura e contemplava o vazio e os passantes. Ela sabia que ele não estava conseguindo manter o raciocínio pra interpretar nem um parágrafo, mas ele sempre recomeçava e tentava novamente. Essa era a melhor característica dele: ele não desistia.
Ela sabia que ele não estava mais com sua substituta. Ela sentiu. Ela sabia também que ele não desistiria dela a menos que alguém valesse a pena. Soltando o rabo de cavalo e beliscando as bochechas pra parecer saudável, ela foi a seu encontro.
Brad quase pudou do banco quando a viu, surpreso com todas aquelas lembranças emanando daquela moça morena que ele amara por anos e que ele substituira por outra que não era nem um terço do que ela fora.
Crente em destino que era, Brad não a deixou ir embora naquele momento, nem nunca mais. Olivia também acreditava em destino, afinal fora uma imensa coincidência eles terem se encontrado ali naquela manhã ensolarada. Mas Olivia sabia que fora ela que o observara, entendera a situação, e resolvera arriscar mais uma vez. Ela era a verdadeira senhora do seu destino.
Nenhum comentário:
Postar um comentário