quarta-feira, 22 de julho de 2015

Não lembro da primeira vez que te vi. Você não falou, não chamou a atenção, não brincou, não deixou lembranças. Pensando bem, lembro do seu olhar profundo, mas não lembro de quando ele começou.
Lembro de uma intimidade que eu não dei e, por causa dela, de mensagens chegando sem minha permissão. Lembro da primeira vez que ti lá em casa, bêbado e vindo pra cima, sem que eu tivesse esperado isso. Calma ai, meu filho, tu te coloca no teu lugar que aqui é minha casa. Você voltou pro teu lugar, porém, começou a deixar lembrança em mim tb.
Mais conversas online, uma curiosidade surgindo. Curiosidade é normal, certo?
Eu sabia que não era só curiosidade quando te vi trocando telefones. Que era aquilo? Diante do meu nariz? Nunca! Mais conversas online, ainda inocentes, com algumas ambiguidades.
O sentimento nasceu junto com aquele copo de wiskhy que a gente dividiu. Deu coragem pra enchergarmos que as coisas já eram maiores. Maiores e melhores, já que provei teu sabor ali mesmo, com frio na barriga e sorriso aberto, sentimento foi imediato, sincero e forte. Não soube lidar, e precisei me mascarar porque sabia que logo logo ia doer. Te deixei entrar por completo, ainda extendi o tapete vermelho.  E ai? Ai deu merda.
Quando vi, você era a senha do meu celular, meu fundo de tela, meu número favorito e aquele que não saia da cabeça. Você era o dono dos melhores beijos, de horas intermináveis de amor sem fim e sem limites.
Confundi as coisas. Onde era carinho e respeito, vi paixão e possibilidades. Fiquei rapidamente cega e perdi a noção. Sem bom senso, te perdi.
Perdi o amigo, as risadas, as uvas com mel, os abraços, o apoio pra comer na escada, as conversas voltando pra casa, os records inesquecíveis.
Sei que sobrevivo. Você não era tudo isso, afinal. Tudo que preciso é de algumas horas correndo, alguns remédios pra dormir e do tempo, fiel amigo, pra tirar isso do peito. Dói. Sempre dói.

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