O sol se espreguiçava preguiçosamente naquela nova manhã de seu azul. Tímido, começava a iluminar as árvores, as ruas, as janelas, os coqueiros, as ondas... E os olhos do meu pai que, ofuscado com a luz, quase meteu o carro no meio da Mata Atlântica!
Eu não entendia bem dessa coisa de dirigir. Ainda não sonhava em ter 18 anos e ter meu próprio carro, ao contrário de todos os meus amigos homens do colégio. De qualquer forma, meu pai era o meu herói pra tudo e, por isso, era o melhor motorista do mundo!
Enquanto descíamos a serra para as nossas férias de verão, fiquei imaginando como tudo seria diferente.
Como as pessoas reagiriam à nova Cath?
Bom, eu realmente esperava que eles gostassem.
Será que os meninos finalmente iam me notar?
Será que eu ia viver um amor de verão de verdade ao invés de ver aqueles corpos bonitos passando pelo calçadão sem nunca olhar pra mim? Eles olhariam? Eu ganharia meu primeiro "fiu-fiu" de um surfista loiro e sarado?
Tá, tudo bem, podia ser um moreno de olhos verdes... ou azuis... ou tanto faz!
Minha cabeça explodia de perguntas e meu coração pulava pela boca de ansiedade.
E as minhas amigas? Será que agora elas se sentiriam melhor por não precisarem ficar me consolando cada vez que as férias terminavam e eu voltava pra casa apenas com histórias sobre brincadeiras de esconde-esconde e comentários do tipo "Você não acha que você é muito GRANDE pra brincar disso?"
Ouvi isso uma vez da mãe da Kelly, uma das minhas amigas de infância na praia. Aquela víbora tinha dito que eu era grande no sentido mais puro da palavra gorda. Eu tenho um defeito sabe, não perdoo as pessoas e nem esqueço o que elas me fazem. A mãe da minha amiga era uma pessoa que eu detestava desde os meus 5 anos, e tenho a impressão de que era recíproco. Mas ela que me esperasse.
Uma nova Catherine surgiria neste verão. Eu queria só ver em quem ela ia destilar o veneno agora.
No meio de tantos devaneios, eu senti um cheiro diferente. Era a brisa do mar que invadia meu pulmão e me fazia estremecer. Finalmente tínhamos chego.
Uma nova era começava.
Uma nova página da minha vida começava a ser escrita ali, no meu paraíso particular: Praia do Tombo, no Guarujá.
Era o lugar que eu mais amava no mundo e agora era o palco da virada da minha vida!
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